| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Strigiformes |
| Família: | Strigidae |
| Leach, 1820 | |
| Espécie: | A. flammeus |
O mocho-dos-banhados é uma ave strigiforme da família Strigidae.
Também conhecida como coruja-do-bornal e coruja-do-Nabal.
===== Nome Científico =====
Seu nome científico significa: do (latim) asio = tipo de coruja orelhuda; e do (latim) flammeus, flamma = chamejante, ardente, cor de fogo. ⇒ Coruja orelhuda flamejante.
Primeira descrição: Strix Flammea - Pontoppidan. Dansk Atlas 1, 1763 - Localidade: Suécia.
===== Características =====
Esta é uma coruja com cerca de 33 a 41,5 cm (macho) e 34 a 43 cm (fêmea), pesando entre 200 e 450 g (macho) e 260 a 500 g (fêmea), aspecto delgado e partes inferiores finamente estriadas, possuindo asas longas e “orelhas” curtas e inconspícuas (Meyer-de-Schauensee, 1970; Sick, 1997), tarso e dedos recoberto por penas. Asa de 281 a 335 mm. Fêmea possui plumagem mais escura que o macho e jovem possui estrias no peito e no ventre.
Voz: embora vocalize pouco, possui um repertório variado, incluindo gritos que lembram cachorrinhos latindo; uma série com 10 a 22 notas muito graves “hoop-hoop-hoop…” emitidas inicialmente em baixo volume, aumentando no meio e diminuindo no final; gritos estridentes, emitidos em alto volume.
===== Subespécies =====
Possui dez subespécies:
* Asio flammeus flammeus (Pontoppidan, 1763) - ocorre na América do Norte, Europa; Norte da Ásia e Norte da África;
* Asio flammeus galapagoensis (Gould, 1837) - ocorre no Arquipélago de Galápagos;
* Asio flammeus ponapensis (Mayr, 1933) - ocorre no Leste da Ilhas Carlina;
* Asio flammeus sandwichensis (A. Bloxam, 1827) - ocorre no Arquipélago do Havaí;
* Asio flammeus domingensis (Statius Muller, 1776) - ocorre na ilha Hispaniola e em Cuba (?);
* Asio flammeus portoricensis (Ridgway, 1882) - ocorre na Ilha de Puerto Rico;
* Asio flammeus suinda (Vieillot, 1817) - ocorre do Sul do Peru até a Bolívia, Sudeste do Brasil até a Terra do Fogo;
* Asio flammeus bogotensis (Chapman, 1915) - ocorre na Cordilheira dos Andes da Colômbia, Equador e Noroeste do Peru;
* Asio flammeus pallidicaudus (Friedmann, 1949) - ocorre no Norte da Venezuela e Guiana;
* Asio flammeus sanfordi (Bangs, 1919) - ocorre nas Ilhas Malvinas.
===== Alimentação =====
Em grande parte da sua área de distribuição o mocho-dos-banhados é um especialista em pequenos mamíferos, sobretudo roedores, mas também morcegos; aves e insetos.
Durante o período reprodutivo, estocam roedores em pontos estratégicos, a fim de fornecer mais rapidamente aos filhotes, evitando assim que vocalizem e atraiam predadores (Gustavo Pinto - comunicação pessoal).
===== Reprodução =====
Seu ninho situa-se no solo pantanoso, debaixo de arbustos, em moitas de capim, ou numa suave depressão (Pearson, 1936) em meio a hastes de gramíneas, com o fundo recoberto por matéria vegetal e penas, sugerindo algum cuidado na construção do ninho.
Nidifica em áreas relativamente abertas, e com um uso do solo pouco intensivo. O ninho feito no chão, escondido pela vegetação, como por exemplo por entre ervas altas, ou urzes. O número de ovos é bastante variável, dependendo da abundância de presas. As posturas mais frequentes contam entre 2 a 8 ovos, mas excepcionalmente podem chegar a 16. A incubação, realizada sobretudo pela fêmea, tem uma duração de 24 a 29 dias. Os juvenis podem abandonar o ninho muito cedo, mesmo antes de aprenderem a voar. A coruja dos banhados geralmente defende seu ninho realizando voos rasantes contra intrusos (inclusive o homem) quando se aproximam do local.
===== Hábitos =====
Habita áreas com arbustos e árvores esparsas, campos abertos, baixadas com manchas de vegetação, clareiras próximo a bordas de mata, terras cultivadas, pastagens abandonadas ou ativas, áreas urbanas e banhados onde pode ser vista caçando durante o dia, pousando sobre o solo ou peneirando. Adapta-se a áreas próximas de cidades e chega até a adentrar áreas urbanizadas.
Ativa tanto à noite quanto de dia, com pico de atividade ao anoitecer. Normalmente menos ativa nos períodos de meio do dia e meio da noite (Konig, “Owls of the World”). Pode ser vista pousada em mourões de cerca, no topo de arbustos e postes, em fios de eletricidade ou outros locais expostos. Caça voando baixo executando manobras rápidas e batidas de asa lentas e flexíveis, deslizando em seguida pelo ar.
* Notas de observação pessoal (Alexandre Faitarone – Indaiatuba-SP - Out.2009).
“Possui realmente hábitos diurnos crepusculares, mas o que me deixou fascinado foi a forma como voa, suas atividades de caça, muito semelhantes a rapinantes diurnos. Características de voo semelhantes ao do gavião-do-banhado (Circus buffoni).
O lugar é o mais improvável possível: pastos, perto de uma represa….totalmente antropizado.
A coruja, após às 16:30 começa a fazer uma “ronda”, voando rente ao capim (no máximo 3-4 m de altura)…quando identifica uma possível presa ela peneira (para no ar), como um gavião-peneira (Elanus leucurus).
Em sua “ronda”, passa várias vezes sobre o mesmo lugar, como se tivesse um território definido. Portanto, em caso de avistamento passado, sugiro que volte ao lugar onde a viu, próximo das 16:30 (até o escurecer). Provavelmente você deve vê-la novamente…
Já noite adentro, a vi passando diversas vezes, o que confirma que ela continua bastante ativa após o anoitecer.”
(De Carlos Eduardo S. Goulart em 23 de maio de 2012) Hoje parei para observar um casal e minha descrição corrobora o depoimento pessoal acima. Por volta das 16:30 em diante, voando baixo sobre um pasto de gramínea, rondando várias vezes sobre a mesma área. A única diferença que notei é que este casal não paira no ar. Ao perceber um possível alvo eles mergulham rápido ao chão. Faz alguns dias que acompanho este casal e consegui vê-los capturar alguns camundongos. São magníficos!
===== Distribuição Geográfica =====
Subespécie com ocorrência no Brasil: A.f, suinda.
Migratória, veio da América do Norte, atravessando os Andes até a Terra do Fogo. Vive em amplos banhados e caça durante o dia. No Brasil, ocorre de Goiás e Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. É comum nas regiões setentrionais da Europa e da Ásia.
Em áreas tropicais, o Mocho é residente, não apresentando características migratórias significativas.
Do Nível do mar até 4000 m de altitude.
===== Referências =====
* Aves de Rapina do Brasil - disponível em http://www.avesderapinabrasil.com/asio_flammeus.htm Acesso em 02 jul 2009
* Konig, Claus & Weick, Friedhelm. “Owls of the World”. 2a edição, 2008
* CLEMENTS, J. F.; The Clements Checklist of Birds of the World. Cornell: Cornell University Press, 2005.
* SILVA, J., RIBENBOIM, L. C. da C., SANTOS, N. Corujas do Brasil. Taubaté, SP: Dica de Turismo Publicações, 2017.
===== Galeria de Fotos =====